Arestas de Vento
novembro 2009
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   Artes e Ideias por Ricardo Cardoso e Céu Campos

novembro 15, 2009


AGORA DISPONÍVEL NESTE BLOG O “REGISTO SONORO” DE UMA GRANDE ENTREVISTA FEITA NO ARESTAS DE VENTO, DA POPULAR FM, A ALEXANDRINA PEREIRA/ POETISA. TÁ LÁ TUDO: DA ARCA DE NOÉ II (LIVRO DE POESIA) AO SONHO QUE LIBERTA


A POESIA de Alexandrina Pereira esteve em foco (pelo pensar da própria) no Arestas de Vento
- Sábado, dia 14 de Novembro -
Vizinho de CONVERSA: Fernando Guerreiro/ Actor/ Encenador/ Dizedor de Poesia



MAIS UM ESTRONDOSO SUCESSO


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"REGISTO SONORO AGORA ... AO ALCANCE DE UM SIMPLES CLIQUE IMEDIATAMENTE ABAIXO ..."


http://arestasdevento.podomatic.com/


"Cabe referir que o produto da venda do livro agora na ribalta (ARCA DE NOÉ II) vai reverter a favor da VALÊNCIA de apoio a grávidas e mães adolescentes PEQUENA GRANDE MÃE.
Em suma:
Mais uma iniciativa da Caritas Diocesana de Setúbal, naturalmente, com o dr Eugénio da Fonseca à cabeça."



Lendo de uma vez (para não perder a intensidade da hora) o livro de poemas Arca de Noé II, a gente percebe sem grande gincana intelectual que Alexandrina Pereira dedica a poética da Arca a alguns animais.
Aliás:
Personagens que recria na ficção do próprio livro.
Mais e também (talvez) por isso exista uma ligação muito próxima com a realidade (os bichos vivem) e, mais ainda, com o imaginário da criança (local onde o livro vai pastar enquanto obra d’alma).



Publicado por arestas em 11:31 AM

DE QUALQUER FORMA, PARA CHATISSE DE MUITO BOA GENTE DA CHAMADA CONCORRÊNCIA, INSCREVEMOS O GATEM NO LIVRO DE OURO DO TEATRO FEITO EM PORTUGAL NO ANO 2009 (...)! UMA NOTA EM FORMA DE LOUVOR PARA FERNANDO BAIÃO, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE PALMELA.


O GATEM - Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, está de parabéns.
De parabéns estão todos os membros do Grupo, desde o músico ao poeta de serviço, até aos actores e figurantes, assim como, naturalmente, a autora do texto e o encenador da peça, "O Beco dos Vira-latas".

Não é todos os dias que vemos um Grupo do Distrito de Setúbal, neste caso do eixo Setúbal, Palmela, Pinhal Novo, numa final Nacional. Falo-vos do Concurso Nacional de Teatro da Fundação Inatel.
 
Tudo se passou, apesar da despeita, inveja e negação dos "velhos e das velhas da Praia da Saúde", no passado fim-de-semana, em Beja.

O renovado Pax Julia foi o palco escolhido.

Em concurso, após as eliminatórias regionais, estiveram nas "tábuas" seis Grupos: A Associação Teatro Amador do Livramento -Madeira, Pedra Mó - Grupo de Teatro - Casa do Povo de Altares - Açores, Associação Académica e Cultural de Ermesinde / Grupo de Teatro "Casca de Nós" - Porto, Associação Desportiva Cultural e Recreativa de Pereira - Grupo de Teatro "O Celeiro" - Coimbra, Associação Grupo de Teatro de Amadores de Vila Viçosa e o GATEM.
 
O digníssimo JÚRI, composto por Virgílio Castelo, actor, director de actores, fundador do Grupo de Teatro Adoque, presença regular na TV e Cinema, Cucha Carvalheiro, actriz, actual Directora Artística do Teatro da Trindade e Maria João Miguel, actriz, formadora e encenadora, ACHOU por bem, com tudo aquilo de subjectivo que uma decisão desta natureza comporta, atribuir ao Grupo de Coimbra o 1º lugar, o 2º ao Grupo do Porto e, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, o 3º ao nosso "rico e bem subsidiado (porra … esta foi acima de todos os limites do razoável) GATEM".
 
Pois é ...

Pela voz timbrada de Virgílio Castelo ficámos a saber que o seu voto foi todo ele "direitinho" para umas " 3 pobres velhinhas" tão pobrezinhas que até nem precisaram de cenário para arrebatar o prémio em jogo. Por sinal constatámos que até houve gente com responsabilidade em matéria teatral que "gostou e aplaudiu" aquela "franciscana pobreza". Talvez por reflexo subconsciente (talvez)!!! No fundo aquilo até lembrou (sem ser o caso) algum muito mau teatro que reconhecemos praticado em colectividades … muito vocacionadas para jogos de cartas e copos (onde é que EU já vi ISTO ó EVARISTO?).

Concluímos que … ter "bom cenário, bom guarda-roupa, boa música e poesia originais" só atrapalha, ou seja, não resulta em termos de classificação.

É verdade ou mentira, Sr. Castelo das telenovelas cafonas???

Desta forma, e que nos desculpem a sinceridade, o GATEM foi julgado e prejudicado por ser (era bom era!!!) um grupo auxiliado pelo sistema de apoios e subsídios regulares.
Pois.
Nem é auxiliado (até ao momento! vamos ver o dia seguinte!!!) pelo Estado nem pelas Câmaras Municipais!
Apenas apoiado em algumas produções pontuais.
Uma nota em forma de LOUVOR para Fernando Baião, Presidente da Junta de Freguesia de Palmela. Porquê?!!! Fez o favor de transportar cenário e restante material do GATEM a Beja.

Topas ó amigo da Koltura com risos na ponta?

Até apostamos que fomos o GRUPO com maiores dificuldades materiais dos 6 em disputa. Temos é (!) a "sorte" de sermos "alquimistas". Temos é (!) a "sorte" de termos uma Céu Campos que é, verdadeiramente, uma "mulher dos sete ofícios" e de mais algumas artes ...
Temos é (!) a "sorte", sinónimo de mérito, esforço e dedicação (com mãos dadas com o sonho e a ternura) de sermos (!) da Cultura a tempo inteiro e termos (!) uma "vontade" do tamanho do mundo.
 
De qualquer forma, para CHATISSE de muito boa gente da chamada concorrência, INSCREVEMOS O GATEM NO LIVRO DE OURO DO TEATRO FEITO EM PORTUGAL NO ANO 2009.
 
Ganhar, perder, faz parte ...
 
Apenas pedimos: Não nos lixem pelo preconceitozinho, "tá bem"???
O Gatem é uma mais valia Cultural aqui, no nosso Distrito, e em qualquer parte do Mundo.

Assim sente e pensa o Poeta, entre as Palavras e o Silêncio ...

Luís Filipe Estrela/ Director da Revista Viva Setúbal Magazine/ Poeta e actor (com todo o orgulho) do GATEM



Publicado por arestas em 10:50 AM

Foi a partir deste acontecimento, numa 6ª feira dia 13, que ficou sendo conhecido como "dia de azar"...


Para quem não sabe, a origem da crença ou superstição popular de que 6ª feira dia 13 é  “dia de azar”, está ligada a um acontecimento no século 14 quando o Papa Clemente V autorizou o Rei de França (Filipe IV) a exterminar os Templários, no dia 13 de Outubro de 1307, numa 6ª feira, acusando-os de praticarem actos heréticos e livrar-se assim duma enorme dívida que tinha para com os mesmos.



Tudo começou assim:


Filipe IV, era um monarca francês que estava profundamente endividado com os Templários porquanto em 1297 estes tinham-lhe emprestado 2.500 libras e um ano depois mais 200.000 florins. Três anos a seguir, o monarca pede mais 500.000 francos. Sem possibilidade de pagar esta fortuna, Filipe IV, solicita a sua entrada na Ordem dos Templários por volta do ano 1305 na esperança de vir a manobrá-la por dentro (um golpe politico) mas foi recusado peremptoriamente.


Ora, na época, o Papa Clemente Clemente V (Bertrand de Got) era descendente da antiga casa gasconha dos viscondes de Lomagne e foi um grande interessado pelas ciências herméticas, especialmente a Alquimia, buscando freneticamente a Pedra Filosofal. Mas o seu carácter ambicioso, cruel e sensual, impediram-no de obter tão precioso Conhecimento que os Templários tinham, além do Ouro que eles possuiam conquistado durante todas as suas lutas, tão ambicionado  pelo rei francês e o próprio Papa que vivia à larga entre intrigas e deboches, nunca se deslocando sem a sua amante Brunissende que lhe custou mais do que "a Terra Santa".


Clemente V, desgostoso com os Templários pela recusa aos Mistérios do Templo, e sentindo um grande rancor, tratou de acelerar a bula "Vox Clamantis" lida no Sínodo Geral de Viena que extinguiria ,a 10 de Outubro de 1311, a Ordem dos Templários.


Por causa de tudo isto, Jacques de Molay (Grão-Mestre da Ordem Templária) foi condenado à pira da morte em 18 de Março de 1314, sofrendo uma grande tortura, mas antes de morrer lançou um poderoso “anátema” (maldição) ao Papa e ao Rei francês que viriam a morrer, um mês depois; um de fortes cólicas intestinais e outro (o rei) de uma queda do cavalo em Fontainebleau, sem antes  ter mandado matar primeiro todos os templários que foram atraidos para uma armadilha preparada pelo monarca francês numa festa de 'boas intenções' que culminaria num grande massacre no fatídico dia 13 de Outubro de 1307, uma 6ª feira.


Foi a partir deste acontecimento, numa 6ª feira dia 13, que ficou sendo conhecido como "dia de azar"...


Rui Palmela/ Blog do autor: http://alvorecer-escriba.blogspot.com/ 



Publicado por arestas em 10:28 AM

novembro 09, 2009


Todos sabemos que existem poetas com muitas qualidades e com sabores diversos. Tudo assoma dos embelezamentos que fornecem a vida da poesia e do modo do preparo. É assim o rasto poético de Alexandrina Pereira. Como diria outro vate: quem perceber (...)


DIADAMULHER_200869.jpg image by ovelhaperdida


DIA 14 DE NOVEMBRO (!) O ARESTAS DE VENTO RECEBE A POETISA
ALEXANDRINA PEREIRA


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Em foco (entre muitos assuntos bons!) o mais recente livro de poesia dessa criativa


ATENÇÃO !!!


Podem os amigos cibernautas e ouvintes do Arestas de Vento mandar perguntas para a convidada especial responder em directo através do seguinte e-mail:
arestasdevento@gmail.com


MEU CANTAR DE LIBERDADE



Se por mera casualidade
Quando a manhã acordasse
Uma gaivota voasse
Por sobre a minha cidade…
Talvez que ela levasse
Consigo, o meu cantar
Para alem do mar…!


Ai se o meu cantar se ouvisse
Onde não se ouve a razão…!


Talvez ele conseguisse
Que uma janela se abrisse
Clareando a escuridão…


E um cravo branco florisse
Em terras de servidão!


Quando a manhã acordar
Se uma gaivota voar
Por sobre a minha cidade…
Vou pedir-lhe p'ra levar
Para terras de alem mar
O meu cantar de liberdade!


 



Publicado por arestas em 06:16 PM

Farpa comparativa pilhada num sítio cibernético da histórica Vila do Couço (Ribatejo Profundo/ Perto de Coruche)



Indo ao que interessa ...



Estive a ler algumas actas da Câmara Municipal e cheguei a uma conclusão que me deixa preocupado.


Facilmente verifiquei que a tal Cultura que Sócrates pôs de parte no Governo, no Couço é uma coisa de luxo.


Nem a Junta, nem a Câmara se sentaram para unir estratégias e as coisas aparecem, umas por cima das outras. Nós limitamo-nos a assistir, sorridentes, a este desperdício de recursos.


A Câmara criou uma sala de leitura com livros e net "abafando" a sala que estava na Junta de Freguesia.


A Junta detém a Casa do Povo, que está subaproveitada e a necessitar de obras, e lança-se, sozinha, na recuperação do antigo Clube.


Para juntar ao rol de infra-estruturas culturais, no Plano da Câmara para 2009 consta a transformação do antigo Cinema em Centro Cultural.


Não seria melhor conjugar esforços? Estamos a assistir à "birra" do "eu é que faço".


Sabem como é que os nossos avós resolviam estas situações?


Era com um ponto de sapateiro!!!


Surripiado ao blog http://filhodocouco.blogs.sapo.pt/



Publicado por arestas em 05:40 PM

Sei que o farás por mim; e por isso, esteja lá onde estiver quando abrires esta carta, fica lá a saber que terei muito orgulho de ti (...)



CARTA AO FUTURO



Quando abrires esta carta, terás feito dezoito anos.


Não quero que a abras antes... porque entendo, (bem ou mal), que a tua imaturidade não iria certamente permitir entender plenamente tudo o que te quero dizer.


Se eu cá já não estiver... que o eco da minha voz contida nesta missiva, seja razão bastante para uma tua breve reflexão... feita talvez de saudade!


Minha neta, tudo o que te vou dizer resulta de uma vivência rica que desfrutei e que num gesto de ternura te quero transmitir aqui e agora.


Era Abril.


A nossa terra explodia em flores e ilusões.


Entornavam-se cravos das janelas, que iam inundando o coração dos homens bons que tinham acreditado num mundo melhor. Nessa altura... "o homem foi irmão do homem"!


Eu, Mariana, testemunhei as lágrimas que corriam dos rostos dos cidadãos ultrajados e 'desiludidos que sempre acreditaram na redenção.


E chorei com eles... porque me estendiam a mão, sem me conhecer, para que cantássemos juntos canções de esperança.


Foi o tempo bom dum país liberto que acreditava num futuro feito luz, como um arco-íris que desabrocha colorindo o céu após a tempestade.


Nascia uma nova ordem! E acreditámos todos!


E estávamos todos juntos!


E todos juntos tínhamos nos olhos e na alma a força dum povo com uma só voz... a voz da razão!


E pela primeira vez... votámos também, todos, as novas regras do bom senso que se chamava Constituição!


E fizemos isso civicamente; sem atropelos nem maldade, porque nesse tempo ninguém estava dividido... ou assim pensávamos!


Toda a gente se empenhava para a construção dum país melhor onde a felicidade fosse a palavra de ordem que pudesse sobrepor-se às outras palavras de ordem de cariz político, que posteriormente incendiaram e dividiram os cidadãos que ingenuamente haviam acreditado, por algum tempo... que realmente os homens se iriam entender em paz.


Porque a pureza de princípios e a lealdade é afinal uma utopia... passado o tempo do estado de graça do acreditar na verdade dos que afinal só sede tinham de poder... esvaiu-se o sonho dourado de cada um, como neve que se derrete com os primeiros raios de sol. E os homens dividiram-se!


E acantonaram-se atrás de ideais de partidos políticos que passaram a definir, cada um à sua maneira e na medida dos seus interesses... as regras do jogo que moldava a maneira como achavam que devia viver cada cidadão.


Sabes, Mariana... afinal o homem tinha virado "lobo do homem"! Alguns... poucos, como eu, ainda acreditam na solidariedade... no amor ao próximo... e na possibilidade duma vida vivida serenamente em paz.


Se calhar... são cretinices de velho!


À minha volta dou conta que a rádio, a televisão, os jornais... nos dão de presente envenenado um mundo turbulento onde campeia o crime, a guerra, a corrupção e a mentira.


O mundo inteiro é agora um vulcão explodindo na fúria do ódio! O rosto da maldade esconde-se atrás de todas as espécies de crimes... contra todos nós, através do terrorismo, do tráfico multifacetado e da violência.


Interrogo-me porque ficou pelo caminho... aquele país em que todos acreditámos numa longínqua manhã de Abril!


Queria que herdasses de mim um Portugal melhor... e não sei se isso será ainda possível.


Não viveste como eu os tempos de todas as esperanças. Não viste ruir como eu os sonhos em que apostámos.


Daí o testemunho do sonho e das desilusões que a vida nos proporcionou. Deposito em tuas mãos uma mensagem de amor e esperança que só ao tempo de leres esta carta poderás perceber completamente.


Quando hoje te fui buscar à salda do colégio fiquei, uns momentos, de longe, a espreitar o teu bulício de criança, rindo descuidada, de mãos dadas com as tuas companheiras, numa confraternização despida de maldade, num tempo em que ainda á possível a amizade.


Foi então que me apercebi que o tempo do futuro eras tu!


E sonhei um universo onde todas as pessoas pudessem ser também... "crianças" felizes!


E decidi escrever-te, norteando-te em caminhos de seriedade... e apelando para que, um dia, possas contribuir para a construção dum mundo melhor.


Porque, ingenuamente, ainda continuo a acreditar na esperança! Porque sei que se quiserem... tu, e outros como tu, com a generosidade e a força que advém da juventude, podem ainda mudar tudo.


A mensagem final que te deixo, ditada pela experiência e fé que sempre pus no percorrer do meu caminho, é afinal um acreditar sem limites... num mundo melhor.


Colabora lealmente com o teu semelhante!


Entrega-te totalmente à tarefa de fazer do nosso pais um lugar onde se possa viver em paz, com dignidade... e orgulho de ter nascido em Portugal. Como vais conseguir tudo isso?!


Com amor, com uma entrega total ao teu trabalho, seja ele qual for,... com dignidade e seriedade de princípios.


Sei que o farás por mim; e por isso, esteja lá onde estiver quando abrires esta carta, fica lá a saber que terei muito orgulho de ti.


Esta mensagem de paz... e a enorme herança que, com toda a ternura, te posso deixar!


Um beijo... do teu avô!


Orlando da Fonseca Fernandes



Publicado por arestas em 05:21 PM

"É tão inútil", pensou, deixando cair deliberadamente uma anchova, que lhe custara bastante apanhar, aos pés de uma velha gaivota que o perseguia. Poderia ter passado todo este tempo a aprender a voar. E há tanto para aprender!



A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o mais importante não era comer, mas voar.



Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar. Como veio a descobrir, esta maneira de pensar não o fazia muito popular entre as outras aves. Até os próprios pais se sentiam desanimados ao verem que Fernão passava os dias sozinho, a experimentar, fazendo centenas de voos rasos.


Não sabia porquê, mas, por exemplo, quando voava sobre a água a uma altitude inferior ao comprimento das suas asas abertas, conseguia manter-se no ar durante mais tempo e com menos esforço. Os seus voos não acabavam com o habitual mergulhar de patas abertas no mar, mas com um pousar leve, de patas bem unidas ao corpo. Quando começou a pousar em pé sobre a praia e depois a medir o comprimento da aterragem, os pais ficaram deveras preocupados.


-Porquê? Fernão, porquê? - perguntava-lhe a mãe. - Por que não podes ser como o resto do bando? Por que não deixas os voos rasos para os pelicanos e para o albatroz? Por que não comes? Filho, és só penas e osso!


-Não me importo de ser apenas ossos, mãe. Só quero saber aquilo que consigo fazer no ar, e o que não consigo, mais nada. Só quero saber.


-Ouve lá, Fernão - disse-lhe o pai com bondade. - O Inverno aproxima-se. Haverá poucos barcos, e o peixe das superfícies irá para zonas mais profundas. Essa história dos voos está muito bem, mas sabes que não te podes alimentar disso. Se tens mesmo de estudar, então estuda a comida e a forma de a conseguir. Não te esqueças de que a razão por que voas é comer.


Fernão baixou a cabeça, obediente. Durante os dias seguintes tentou comportar-se como os outros: tentou mesmo a sério, disputando com o resto do bando a comida dos pontões e dos barcos de pesca, mergulhando para apanhar pedaços de peixe e pão. Mas não conseguiu.


"É tão inútil", pensou, deixando cair deliberadamente uma anchova, que lhe custara bastante apanhar, aos pés de uma velha gaivota que o perseguia. Poderia ter passado todo este tempo a aprender a voar.


E há tanto para aprender!


Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota



Publicado por arestas em 04:58 PM